História do FADO - Música Tradicional Portuguesa
- Mário Granado - MGMEIA, Founder CEO & Chairman

- May 13, 2021
- 6 min read
Updated: Aug 4, 2021

Fado é um estilo musical Português. Geralmente é cantado por uma só pessoa, o “FADISTA”, acompanhado por uma guitarra clássica, que nos meios FADISTAS denomina-se por viola e uma guitarra Portuguesa.
O FADO é considerado PATRIMÓNIO CULTURAL E IMATERIAL pela UNESCO desde Novembro de 2011.
A palavra FADO vem do Latim “FATUM”, “DESTINO”.
A origem do FADO de Lisboa remete dos Mouros, mas em explicação não é 100% comprovada. No início do Séc. XIX o FADO era conhecido no Algarve, último reduto Árabe em Portugal.
O nome FADO, diz-se que provem da Irlanda em que o cantor tinha o nome de “FAITH”, ou há quem defenda a origem escandinava “FATA”, que significa vestir, compor, que teria nascido no Francês antigo “FATISTE”, poeta.

Numa outra teoria, também não complementarmente provada, desponta a sua popularidade nos Séc. XVII e XIX. No entanto o FADO passou a ser conhecido depois de 1840, nas ruas de Lisboa. Nessa Altura só o “FADO MARINHEIRO”, era conhecido, assim como as “CANTIGAS de LEVENTAR FERRO” “CANTIGAS DO DEGREDO”, ou as “CANTIGAS DAS FAINAS”, cantada pelos marinheiros na proa do navio. O FADO mais antigo é o “FADO MARINHEIRO”, e é este FADO que se vai tornar modelo de todos os géneros FADO que mais tarde surgiram como “FADO CORRIDO” e o “FADO COTOVIA”.
Com FADO surgiram os FADISTAS, com o seu modo muito peculiar de se vestirem, com actitudes não convencionais, e mesmo desafiadoras, que se viam em frequentes contendas com grupos rivais.
Um FADISTA, ou FAIA, de 1840 seria reconhecido pela sua forma de trajar.

Durante as décadas de 30 e 40, o FADO foi projectado para o grande público através, do cinema, teatro e rádio, tornando-o de alguma forma mais comercial e menos bairrista. O ou A FADISTA, nasce assim como artista e não como arruaceiro, fazendo que esta arte saia dos becos e vielos de encontro a um público mais adinheirado, que podiam usufruir dos cinemas e nos teatros.
Tal foi o sucesso que nascem as “CASAS de FADO” e com elas o lançamento de artistas profissionais do FADO. Para se poder cantar nas “CASAS de FADO” era porém, necessária uma carteira profissional e um aval visado pela “Comissão de Censura”, já que estas casas proporcionavam um ambiente de convívio entre letristas, compositores e intérpretes.
A meados do Séc. XX o FADO inicia a sua conquista pelo mundo, tornando-se bastante famoso. Na altura os FADISTAS trajavam de negro. E no silêncio da noite, com o mistério que a envolve, dava-se a ouvir, com uma “ALMA que Sabe Escutar”, esta canção que nos fala, do sentimento profundo da Alma Portuguesa. E este é o FADO que faz chorar as guitarras…
O FADISTA canta o sofrimento, a “SAUDADE” de tempos passados, a SAUDADE de um amor perdido, a tragédia a desgraça, a sina o destino, a dor, amor e ciúme, a noite, as sombras, o amor, a cidade, as misérias da vida, crítica á sociedade… Em contraste com o conteúdo melancólico, o compasso do FADO transmite um humor animador e possivelmente este contraste contribuí á fascinação do FADO. Acredita-se que daqui nasce a expressão “Silêncio que se vai cantar o FADO”.
Mariza, FADISTA, renome mundial disse no MEO ARENA (Altice, hoje) em Dezembro de 2015 acerca do FADO:
“Os meus amigos, aqueles que não são grandes conhecedores do FADO, dizem sempre, O FADO é muito triste, e eu digo sempre, não o FADO não é uma música triste, o FADO é uma música que fala de sentimentos de vida, fala da tristeza da saudade, fala da melancolia, fala do amor, de amores perdidos ciúmes, mas também fala de contentamento e alegria.”
A certeza é que o FADO não é importado, é sim uma fusão histórica e cultural que ocorreu em Lisboa, que surge na segunda metade do Séc. XIX, embalado pelo romanticismo, exprimindo a tristeza de um povo, a sua dificuldade, mas capaz de induzir esperança.
"Melhor de Mim"
Letra: AC Firmino
Música: Tiágo Machado
Cantora: Mariza

Hoje a semente que dorme na terra
E que se esconde no escuro que encerra
Amanhã nascerá uma flor
Ainda que a esperança da luz seja escassa
A chuva que molha e que passa
Vai trazer numa gota amor
Também eu estou
À espera da luz
Deixo-me aqui onde a sombra seduz
Também eu estou
À espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará
É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar
É a vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar

Creio que a noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia
Há-de sempre me iluminar
Quebro as algemas neste meu lamento
Se renasço a cada momento meu destino na vida é maior
Também eu vou em busca da luz
Saio daqui onde a sombra seduz
Também eu estou à espera de mim
Algo me diz que a tormenta passará
É preciso perder para depois se ganhar
E mesmo sem ver, acreditar
A vida que segue e não espera pela gente
Cada passo que dermos em frente
Caminhando sem medo de errar
E creio que noite sempre se tornará dia
E o brilho que o sol irradia há-de sempre nos iluminar
Sei que o melhor de mim está pra chegar
Sei que o melhor de mim está por chegar
Sei que o melhor de mim está pra chegar
"Ó Gente da Minha Terra"
Letra: Amália Rodrigues
Cantora: Mariza

É meu e vosso este fado Destino que nos amarra Por mais que seja negado Às cordas de uma guitarra
Sempre que se ouve um gemido De uma guitarra a cantar Fica-se logo perdido Com vontade de chorar
Ó gente da minha terra Agora é que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vós que a recebi

E pareceria ternura Se eu me deixasse embalar Era maior a amargura Menos triste o meu cantar
Ó gente da minha terra Agora é que eu percebi Esta tristeza que trago Foi de vós que a recebi
Ó gente da minha terra Agora é que eu percebi Esta tristeza que trago Esta tristeza que trago Foi de vós que recebi
A incerteza do começo do FADO há duas teses. A primeira defendida pelo musicólogo Rui Vieira Nery, que defende que o FADO nasceu bastante longe de Lisboa, e a segunda pelo investigador, Paulo Caldeira, que afirma que o FADO começou a ser cantado nas chamadas “CASAS de FADO”, em Alfama, Castelo, Mouraria, Bairro Alto, e Madragoa. As suas origens boémicas e ordinárias provêm das tabernas e bordéis, dos ambientes de orgia e violência dos bairros mais pobres de Lisboa. Aos olhos da Igreja o FADO não era bem visto.

E que desde cedo tentou impedir a sua evolução. As Tabernas eram, nessa altura o palco de encontro de Fidalgos, artistas, trabalhadores das hortas, populares e estrangeiros, que se reuniam em Noites de FADO VADIO, ou seja o FADO não profissional..
A primeira cantora, ou cantadeira de FADO, que se tem conhecimento foi MARIA SEVERA, que cantava e tocava guitarra nas ruas da Mouraria, especialmente na Rua do Capelão. Era amante do Conde de Vimioso e este romance originou vários temas no FADO.
No entanto a primeira FADISTA com projecção internacional foi ERCÍLIA COSTA, embora esquecida com o tempo.

Os temas mais cantados no FADO são a SAUDADE, a nostalgia, ciúme, as pequenas histórias do quotidiano dos bairros típicos e a lida de touros. Eram estes os temas que eram permitidos, pela ditadura de SALAZAR, mas também permitia o FADO trágico, de ciúme e paixão resolvidos de forma violenta e sangrenta e de arrependimento.
Os FADISTAS clássicos na altura eram, Carlos Ramos, Alfredo Marceneiro, Maria Amélia Proença, entre outros.
O FADO moderno, por assim dizer, impõe-se com a Amália Rodrigues, foi ela com letras de grandes poetas, como Luís de Camões, José Régio, Pedro Homem de Mello ou mesmo Ary dos Santos, entre outros famosos, que seguindo estes passos, fez com que vários FADISTAS, entre eles Carlos do Carmo, Dulce Pontes e a grande Imperatriz do FADO moderno, Mariza, escolhessem o mesmo caminho.
Nascido em Lisboa o FADO é conhecido mundialmente por ser acompanhado muitas vezes por instrumentos musicais, não convencionais á sua linha de origem, introduzindo assim no seu acompanhamento por violino, violoncelo, e até por orquestra, mas não dispensa a sonoridade da Guitarra Portuguesa, assim como a viola, embora os mais atrevidos deixem a Guitarra Portuguesa de lado, talvez por falta meios para adquiri-lo ou mesmo por não saberem toca-la, que será o mais certo.

Quando se fala de FADO, fala-se de Lisboa, mas também, não nos devemos de esquecer do FADO de COIMBRA. Acompanhado por uma viola e pela Guitarra de Coimbra.
A afinação e a sonoridade da Guitarra de Coimbra são diferentes á da Guitarra de Lisboa. O traje utilizado também difere em muito do traje típico dos FADISTAS de Lisboa. Trajando com as suas capas negras de estudantis dos Universitários de Coimbra, traje esse que inspirou a Joanne K. Rowling, escritora famosa pelas obras de Harry Potter, a transferi-las para os seus romances de aventuras do pequeno Mago enquanto estudante.
Embora o fado seja Alfacinha, pertencente às sete colinas de Lisboa, por este Mundo fora e sem ligações Lusitanas, há muitos FADISTAS expressando-se na língua de Camões, como o “Fado Para 2”, cantado pela FADISTA, Holandesa Iris Feijen ou do Japonês, Taku, Cao Bei da China, interpretando temas bem conhecidos como “Barco Negro” e “Lua”.


A Guitarra Portuguesa e o FADO, também evoluíram, na sua forma de introdução em outros estilos musicais, como o Heavy Metal. Onde podemos encontrar Moonspell com Carminho, Ricardo Gordo ou Wallece Oliveira, não deixando mal visto o Mestre e Professor da Guitarra Portuguesa, o Sr. Carlos Paredes.
Top Right to Left: Casa de Fado and Nuno da Camera Pereira
Bottom Right to Left: Adelaide Beirão and Carlos do Carmo


















